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PALAVRA DO PRESIDENTE

A difícil e árdua tarefa de presidir, comandar, administrar, fazer acontecer, crescer e progredir qualquer órgão, empresa, negocio ou a própria família, é necessário no meu ponto de vista, que ante de mais nada seja feito dentro do material humano disponível, uma seleção das melhores idéias no âmbito do assessoramento administrativo, a partir da menor a maior e mais importante das peças disponíveis, além de uma gama muito grande de agentes paralelos, para que se obtenha êxito naquilo que nos propomos a administrar.

E quando me refiro a “da menor a maior peça disponível” não quero aqui discriminar capacidades, até porque, de uma simples idéia vem a resolução de muitos problemas que  as vezes, noites e noites, perdemos pensando e analisando a melhor forma de resolvê-los com habilidade para não ferir outras sugestões.

Vale aqui registrar que o primeiro Aeroclube de São Luis, foi fundado pelo saudoso industrial e político César Aboud e seus contemporâneos e que o Grande Arquiteto do Universo os tenham ao seu lado juntamente com o brasileiro, nascido nas Minas Gerais Alberto Santos Dumont “in memorian” que com a sua inteligência, esforço e perseverança, queiram ou não, é de verdade o patrono mundial da aviação.

Um certo dia Dumont, ao ver o seu invento sendo utilizado nas guerras sangrentas, ou seja, destruindo vidas, lagrimas chegaram aos seus olhos, porque apesar do gênio que foi, jamais imaginara presenciar aquelas cenas desoladoras, mas, à minha ótica, esse feliz invento foi muito importante por ser utilizado principalmente para fins pacíficos, interligando com segurança e rapidez, continentes a continentes, intercambiando o progresso internacional, seja através de eventos comerciais, culturais ou cientifico e, por tudo isso, se o Alberto estivesse ainda entre nos, certamente estaria feliz ao presenciar o seu invento, não destruindo, mas salvando vidas.

Hoje no Brasil, fazer Aeroclube é por demais difícil, tendo em vista principalmente o fator Segurança, que por causa dela, foram criadas inúmeras diretrizes visando melhorar o padrão de confiabilidade, tanto dos Aviadores quanto das aeronaves.

Lembro que, quando era constituído um Aeroclube, a sua Diretoria – sempre seguindo as normas e diretrizes da Força Aérea Brasileira através do extinto DAC – era parabenizada e prestigiada. Para tanto, recebia dos poderes constituídos, incentivos, dentre os quais, equipamento de vôo, subvenção do combustível, além de verbas especiais destinadas à mesma finalidade, tudo isso visando suprir a demanda do futuro. Até carteira de identificação e credenciamento eram enviadas a cada Diretor.

A minha impressão é que, com o advento da criação do ensino paralelo e particular, a influencia pessoal passou a predominar, tornando assim alguns aeroclubes esquecidos e marginalizados, sem se  levar em conta a carência de pilotos brasileiros, que apesar de tudo são sem sombra de duvida, os melhores e como prova, observamos com freqüência a Esquadrilha da Fumaça efetuando suas demonstrações nacionais e internacionais com absoluta precisão e segurança em todas as suas manobras.

Alguns anos passados o DAC através dos seus mais abnegados oficiais, promovia competições aéreas, ralys, etc, sempre com a finalidade de divulgar e motivar ainda mais os entusiastas da aviação. Hoje, só se ver cobranças, fiscalizações, punições vinganças e até ameaças, ou seja, mudou-se a cor do dominó mas não substituíram suas pedras.

Com exeção dos Aeroclubes privilegiados, os remanescentes funcionam utilizando um tipo de avião que já nasceu ultrapassado, porque os de fabricação mais recente foram distribuídos em parte, levando-se em conta a simpatia e amizade dispensada a alguns dirigentes.

Penso que os clubes que produzem mais é porque os seus diretores certamente são mais conhecidos e por isso, tem maior apoio. Nós não, não contamos com a menor ajuda necessária a uma maior produtividade e já estamos exaustos de tanto reivindicarmos. Nenhum agricultor ara a sua terra sem que alguém lhe empreste um arado.
É bom lembrar que nenhum Aeroclube remunera sua Diretoria, e na minha opinião está passando da hora da ANAC emancipá-los, deixar que, quem tiver competência continue caminhando com os seus próprios meios e recursos, já que, como citei em parágrafo anterior, uma minoria tem incentivo, enquanto que a maioria fica à deriva vegetando e esperando que,de algum inverno possa cair uma gota d’água.

Outro rolo compressor é que a maioria dos clubes foram, por questão lógica, construídos dentro de áreas administradas pela INFRAERO. Como esta tem suas normas de segurança, os clubes ficaram limitados a ativação de  algumas atividades de recreação, tais como pára-quedismo, aeromodelismo, vôo à vela, ultraleves etc...Assim sendo é mister que seja modificado os títulos de Aeroclubes para somente ESCOLA DE FORMAÇÃO DE PILOTOS.
Cá com meus botões me pergunto – por que só os Aeroclubes do Sul são privilegiados com aeronaves novas? Porque estão mais próximos das autoridades?
Como vivemos mais na terra que no ar, ficam estas suposições também no ar para que um dia, quando alguém por lá passar, nos trará talvez a resposta.
Resta-nos apelarmos para os políticos e autoridades afins, os senhores das “cartas.”

Em outra ocasião estive à frente deste mesmo Aeroclube.
Agora, como novo mandato de 18 meses, porque seis meses foram gastos somente regularização da sua documentação diante de tanta burocracia que ainda impera nos órgãos constituídos. Mesmo assim ainda conseguimos voltar a operar, com a recuperação total e geral do prédio e suas instalações; todas as salas hoje utilizadas estão climatizadas; documentação administrativa e financeira em dia; curso de PP vespertino e noturno em funcionamento; curso de PC autorizado; curso prático de PP em pleno andamento; obrigações sociais em dia; imobiliário novo; reforma geral e funcionamento da cantina que servirá de modelo para outros clubes; tão logo estejamos com nossa aeronave própria para lançamento recuperada, voltará a funcionar o departamento de pára-quedismo; o curso de helicóptero PP será brevemente montado; foram instalados 05 (cinco) câmeras, para segurança maior das aeronaves.
Finalizando agradeço sinceramente a boa vontade e colaboração de todo o quadro de Diretores, Conselheiros Fiscais, Associados, Funcionários e demais colaboradores que de alguma forma contribuíram para o recomeço e soerguimento desta casa, na certeza de  que  é preferível esquecer os atropelos e injurias do passado, e com os olhos voltados para o oriente, pensar nas  boas realizações que o futuro  trará.

Cmte. Azevedo
Presidente     

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